​Em 2021, o que esperar do mercado de imóveis comerciais?

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A pandemia do Coronavírus obrigou o mercado imobiliário a se adaptar ao novo cenário de distanciamento social. Foi necessário se reinventar para sobreviver nesse contexto pós-pandêmico. Entender as mudanças necessárias auxilia as empresas a atingirem melhores resultados.

Em virtude do distanciamento social, o trabalho passou a ser home office e trabalhar em casa contribuiu para reduzir a demanda por imóveis comerciais, como os andares para escritórios, também chamados de lajes corporativas. E se em tempos de crise a procura por imóveis comerciais tende a ser menor, em meio à pandemia, com todas as restrições necessárias, essa tendência foi confirmada. 

Vale lembrar que no rol de imóveis comerciais há diferentes tipos, como por exemplo, as salas, lojas, galpões, andares e casas comerciais. E apesar do contexto geral de recessão trazido pela Covid-19, certos tipos de imóveis tiveram um aumento no volume de negociações. É o caso dos galpões logísticos, que tiveram um expressivo crescimento de demanda, impulsionada pelo e-commerce. 

Isso demonstra que, apesar das dificuldades enfrentadas pelo mercado imobiliário em 2020, ainda há perspectivas de crescimento da economia e a continuidade do aquecimento deste ramo em 2021, especialmente no que se refere aos galpões para armazenagem e distribuição.

A seguir, veja um panorama de como estava o mercado de imóveis comerciais em 2020, o que foi afetado com a pandemia e as tendências em 2021. Confira.

​Imóveis comerciais em 2020

A pandemia trouxe dificuldades, causou certo pânico no mercado de imóveis comerciais, especialmente, para aquelas empresas mais tradicionais, voltadas exclusivamente para o atendimento pessoal a clientes. O mercado imobiliário precisou se reinventar, investir em novas tecnologias, novas formas de se fazer negócio a fim de se erguer nesse cenário de pandemia.

Sabe-se que quanto maior oferta e menor a demanda, maiores chances de queda de preços. E isso é o que mostrou, por exemplo, uma pesquisa realizada no segundo trimestre de 2020, pela Perspectiva Imobiliária Global JLL: queda de 59% na atividade global de locação de escritórios, 55% de queda no investimento direto em imóveis comerciais, comparado ao mesmo período do ano anterior. Sem contar os altos índices de taxas de vacância.

O mercado de imóveis comerciais viveu de fato um retrocesso em função do avanço do Coronavírus no Brasil, especialmente em 2020, apesar das grandes expectativas para o setor no começo do ano. 

Entretanto, o isolamento social decorrente da pandemia de COVID-19 levou as pessoas a comprar ainda mais no comércio eletrônico, o que elevou o faturamento do setor em 61%, em comparação ao ano anterior. Isso aumentou a demanda por galpões logísticos, já que as empresas sentiram necessidade de expandir suas áreas. E, diante do aquecimento do setor, as grandes empresas do comércio eletrônico buscaram por mais áreas grandes por todo o Brasil.

O estado de São Paulo teve concentração de 67% de novas demandas por galpões logísticos e o Rio de Janeiro 20%. Minas Gerais e Paraná também têm se destacado. O estado de Minas tem tido uma procura ainda maior por espaços logísticos, pois, além da localização estratégica, próximo aos grandes centros de consumo do país, tem uma política de acolhimento de novas empresas com benefícios fiscais estaduais e municipais.

Apesar da crise provocada pela pandemia, o mercado de galpões logísticos se manteve aquecido.

​Tendências para o mercado de imóveis comerciais em 2021

Todas as medidas que tivemos que adotar, especialmente o isolamento social, modificou a nossa relação com o tempo e o trabalho. O mercado de imóveis comerciais também precisou se adaptar a essa nova realidade e vem passando por várias mudanças, dentre elas, a transformação digital.

​Imóveis comerciais 2021

Como os espaços de trabalho hoje em dia não são mais os mesmos, as empresas tiveram que reduzir equipes, dando lugar ao modelo remoto de trabalho, isso gerou aumento na quantidade de imóveis comerciais disponíveis para venda e locação.

Sendo assim, estariam os imóveis comerciais fadados ao esquecimento?

Não. Obviamente, como a maneira de lidar com os espaços e o nosso relacionamento pessoal com o cliente mudou, alguns fatores que moldam a demanda por imóveis comerciais também mudaram e passaram a ter papel importante na definição final.

Um exemplo disso: à medida em que prolonga a pandemia, o home office começa a ficar exaustivo. Apesar de trazer inúmeros benefícios aos colaboradores, como flexibilidade de horário e não precisar deslocar para o trabalho, compartilhar o espaço com filhos, pets ou a família no geral traz alguns desconfortos como a falta de privacidade e distrações, interferindo na produtividade e na entrega de resultados.

Essas circunstâncias podem fazer com que as pessoas busquem por outros espaços adaptáveis a essa nova realidade, para realizarem seu trabalho. E é aí que as imobiliárias devem estar atentas, conhecer e estudar o mercado para realizar a captação do possível cliente.

Além do mais, uma outra questão importante precisou ser adaptada: o design dos escritórios. O formato home office é considerado o novo normal, a partir daí, as empresas passaram a se questionar quanto ao tamanho de seus imóveis comerciais, principalmente, agora na retomada às atividades, pois precisam cumprir o distanciamento e evitar aglomerações.

Assim, imóveis comerciais deverão ser repensados para o uso do espaço mais eficiente e flexível.

Falando em espaços mais eficientes, o hábito de comprar online permanece forte e, com isso, o mercado de galpões logísticos segue aquecido em 2021. Assim, essa tendência de aumento da área locada em galpões pelas empresas de comércio eletrônico observada em 2020 continua presente.

Além da demanda por espaços maiores em imóveis comerciais, a adoção de novas tecnologias se tornou uma grande aliada. Claro, que ela por si só não tem um impacto significativo na demanda geral por locações ou vendas. Mas, a longo prazo, certamente a demanda será direcionada a imóveis comerciais altamente tecnológicos e inteligentes, que apoiam iniciativas ambientais, de sustentabilidade, de saúde e bem-estar das empresas. Com isso, a demanda por ativos de menor qualidade provavelmente deve diminuir.

Quanto aos imóveis comerciais para compra, apesar da recente subida da taxa Selic, que havia chegado a 2% a.a., as taxas de financiamento imobiliário ainda continuam atrativas e a janela de oportunidade para a compra de imóveis comerciais permanece aberta.

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